quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

REVISÃO - UPE 2011/2012 UNIFICADO - SOCIOLOGIA

       Pra galera que ainda não estudou, tentei fazer um resuminho pra ajudar meu terceirão nessa outra etapa. Vale salientar que não é só pra estudar pelo resumo. O bom é fazer uma leitura sobre os assuntos e depois ler o resumo como fixação. Sugestão para a leitura está no livro "Introdução à sociologia" de Pérsio Santos de oliveira, Volume único. O bom é ler os capítulos 1, 3, 4, 5 para ter uma visão ampla do assunto. Espero que ajude!


1. A SOCIEDADE HUMANA 

1.1   Homem, Cultura e Sociedade;
a)    O menino de Aveyron:  Em 1797, na França, foi encontrado um menino inteiramente nu, tinha mais ou menos 12 anos. Não pronunciava nenhuma palavra e não entendia o que falavam pra ele. Foi achado na floresta e seu comportamento era parecido com um animal. Ele tinha idiotia, deficiência mental grave. Tinha hábitos selvagens. Outro pesquisador concluiu que a sociabilidade de Victor foi afetada pelo isolamento social. Este caso mostra que o ser humano é um animal social e que sua vida adquire sentido com outros seres humanos. As  relações entre os seres humanos, isto é, as relações sociais, constituem a base da sociedade. A forma pela qual essas relações ocorrem são fatos sociais e são eles que determinam o comportamento e a vida da sociedade.

1.2 A  sociedade como objeto de estudo;
O indivíduo aprende com o meio, mas também pode modificá-lo em sua ação social. Há, portanto, o comportamento individual que se origina na pessoa enquanto organismo biológico como andar, falar e respirar e há o comportamento social que se desenvolve no contexto da sociedade como casar-se, educar os filhos e fazer greve. As ciências sociais têm a sociedade como o centro de suas pesquisas e contribuem para um melhor conhecimento da sociedade para que nós possas ajudar a transformá-la. As ciências sociais caracterizam-se pelo estudo sistemático do comportamento social humano. Elas podem se dividir em:

Sociologia: É o estudo das relações sociais e das formas de associações, considerando as interações que ocorrem na vida em sociedade.
Economia: Envolve a política salarial, a distribuição de renda e a produtividade de uma empresa. Tem por objetivo as atividades humanas ligadas à produção, circulação, distribuição e consumo de bens e serviços.
Antropologia: Estuda as semelhanças e diferenças culturais entre agrupamentos humanos, assim como a origem e a evolução das culturas. Estuda também a cultura dos povos pré-letrados e a diversidade cultural nas sociedades industriais.
Ciência política: Estuda a distribuição do poder na sociedade e a formação de diversas formas do governo.

Essas ciências são estudadas separadamente, mas se complementam formando um panorama da sociedade ajudando a entendê-la.

1.2   A sociedade e seus problemas. 
No início, a sociedade aparece nas obras dos sociólogos quase como um dado natural e não como um 
conjunto dinâmico de relações e problemas a serem analisados e explicados. Mas com o advento da 
Revolução Industrial, a sociedade passou a se diversificar e aparecer como um campo de forças em 
permanente tensão, como um conjunto de relações conflituosas que poderiam levar a rupturas e mudanças 
radicais. Com tantas mudanças pós-revolução, os sociólogos começaram a encarar a sociologia como uma 
resposta intelectual às novas situações colocadas pela Revolução Industrial.


2. SOCIABILIDADE E SOCIALIZAÇÃO   
a) Socialização: É o ato de transmitir ao indivíduo, de levá-lo a assimilar e introjear os padrões culturais da sociedade.
b) Sociabilidade: É a capacidade natural da espécie humana para viver em sociedade.
c) Novas formas de sociabilidade surgiram com a globalização
d) Contatos sociais
Contatos sociais primários: São os contatos pessoais, diretos e que têm uma fonte base emocional, pois as pessoas envolvidas compartilham suas experiências individuais. Ex: pais e filhos, entre irmãos, entre marido e mulher.
Contatos sociais secundários: São os contatos impessoais ou formais. Ex: dois passageiros num ônibus
e) Isolamento social: A ausência de contatos sociais caracteriza-o e as atitudes de ordem social e atitudes de ordem individual o reforçam.
f) Interação social: Ela modifica o comportamento dos indivíduos envolvidos. Ocorrem de pessoa para pessoa, pessoa com o grupo e entre grupos.
Interatividade: Possibilidade de trocas simultâneas de informações e o acesso imediato a qualquer parte do mundo.
Relação social: a forma assumida pela interação social em cada situação concreta. Podemos definir a sociedade como “uma rede de relações sociais”
g) Processos Sociais: São diversas maneiras pelas quais indivíduos e grupos atuam uns com os outros, a forma pela qual os indivíduos se relacionam e estabelecem relações sociais no transcorrer do tempo. Qualquer mudança proveniente dos contatos sociais e da interação social entre os membros de uma sociedade constitui, portanto um processo social. Os grupos sociais se reúnem e se separam, associam-se e dissociam-se. Classificamos, portanto, os processos sociais em associativos e  dissociativos com suas subclassificações:
Associativos: Cooperação, Acomodação, Assimilação
Dissociativos: Competição e conflito.

h) Processos Associativos
     1 – Cooperação:  Diferentes tipos de pessoas, grupos, trabalham juntas para um mesmo fim. Temos a cooperação direta, quando todos realizam atividades juntas como nos mutirões, e a  indireta que ocorre quando se realiza atividades diferentes mas complementares como o médico e o lavrador, um necessita do alimento e o outra da manutenção da saúde.
     2 -  Acomodação: É quando o vencido aceita as condições do vencedor e adota uma posição de subordinação. O indivíduo se ajusta à situação sem que haja mudança interna. Ex: Escravidão na antiguidade e Imigrantes.
     3 – Assimilação: Processo pelo qual indivíduos ou grupos antagônicos tornam-se semelhantes. Implica em modificações internas (maneira de pensar, sentir, agir). Ex: Imigrantes depois de um certo tempo.

i) Processos Dissociativos
1 – Competição: Tipo de processo social que implica em luta por objetos escassos. Prejudica a colaboração.
2 – Conflito: É quando a competição assume características de elevada tensão social. Ex: MSTx Governo, Lutas dos negros norte-americanos pelos direitos civis.
   3 – Diferenças de Competição e conflito:
Competição
Conflito
Consciente ou inconsciente
Sempre consciente
Impessoal
Pessoal
Sem violência
Violência
Contínua
Não dura para sempre
  4 – Terrorismo: É um conjunto de ações de grupos organizados clandestinos que se opõem à ordem política vigente de forma violenta.  O conflito pode levar ao terrorismo como resultado de extremismo político ou religioso (fundamentalismo) Ex: Atentado de 11 de Setembro.
  
3. COMUNIDADE  - comunidade, sociedade. 
Comunidade:  É uma associação unida por laços afetivos e por uma vontade coletiva natural e acordo de sentimentos. Tem como característica a nitidez (limites geográficos), pequenez (pequenas proporções), homogeneidade (atividades de determinados grupos sempre iguais) e relações pessoais (contatos primários)
Sociedade: Em sentido amplo, é a totalidade das relações sociais entre os seres humanos.
“Comunidades” virtuais:  São comunidades cuja comunicação e eletrônica e que têm as primeiras interações realizadas a partir de interesses previamente determinados.

4. DESIGUALDADES SOCIAIS

9. A estratificação de gênero é sustentada pelos ciclos de socialização, que reforçam mutuamente pela identidade de gênero , que, por sua vez, se tornam a base para discriminação e crenças preconceituosas, frutos da ameaça ressentida pelos homens.

OBS: O conteúdo deste resumo é de direitos exclusivos do blog. 


domingo, 21 de agosto de 2011

Expulsos pela fome, somalis lotam campo de refugiados


DADAAB, FRONTEIRA ENTRE QUÊNIA E SOMÁLIA - "Essa cidade não deveria existir”, diz Maira. A refugiada da Somália refere-se ao Campo de Dadaab, um verdadeiro testamento vivo da tragédia de toda uma região da África e, hoje, um certificado da falência da estratégia de combate à fome.

A reportagem do Estado está convivendo com os 440 mil refugiados que se amontoam no acampamento mantido pela ONU entre a fronteira da Somália e do Quênia. Considerado o maior campo de refugiados do mundo, Dadaab é resultado de guerras, miséria e agora da fome que atinge o Chifre da África.

Há alguns anos, a esperança da ONU era a de que uma solução começasse a ser dada aos refugiados que chegaram 20 anos atrás ao local. Mas a eclosão nos últimos meses de uma das piores ondas de fome em 60 anos na África enterrou esse plano. Desde o início do ano, 170 mil novos refugiados foram para Dadaab. Por dia, 1,5 mil pessoas chegam ao campo.

Na fuga da fome, o caminho para muitos é dos mais dramáticos. Sobreviveram à falta de alimentos, ao calor, à falta de água, às milícias, aos grupos de bandidos e mesmo aos animais. No caminho, centenas de mulheres são alvo de violência sexual e chegam grávidas.

De 30 para 440 mil pessoas

O acampamento foi criado em 1991, com o objetivo de receber refugiados da guerra civil na Somália. Cerca de 30 mil pessoas eram esperadas. Em poucos meses, o local teve de ser ampliado para comportar 90 mil refugiados da Somália. Hoje, diante da explosão da fome na África, ele já conta com 440 mil refugiados e, em poucas semanas, serão 450 mil. Os números não dão sinais de ceder, enquanto um volume cada vez maior de ONGs desembarca para construir novos locais de acolhimento, ampliando o perímetro da cidade.

Ao sobrevoar em um monomotor o campo em busca da pista de pouso que serve para a ONU e ONGs abastecerem o acampamento, a primeira imagem que se tem de Dadaab é a de um tapete de retalhos. Os tetos de plástico, lixo e outros materiais das barracas perdem-se de vista. São 50 quilômetros quadrados do que certamente é a cidade mais miserável do mundo.

Para deixar a situação mais dramática, os refugiados pouco a pouco abandonam a alegria de chegar a Dadaab pelo desespero de entender que não terão mais para onde ir. “Saímos de um inferno esperando chegar a um lugar que fosse o reinício de nossas vidas. Mas vemos que estamos em outro inferno”, diz Maira.

Para muitos, Dadaab é uma prisão a céu aberto. Os refugiados não podem se mover livremente, falta comida, água e segurança. Quase ninguém tem trabalho, nem mesmo a perspectiva de um dia sair do acampamento. Expulsos de seu país pela fome e a violência, os refugiados descobrem que também não são bem-vindos no Quênia.

Em Nairóbi, o governo queniano faz de tudo para evitar que o campo se transforme em uma cidade estabelecida. Oficialmente, a fronteira está fechada. “Mas isso não significa nada”, diz Luana Lima, uma pediatra carioca que trabalha no acampamento. “No lugar de 20 dias, estão levando 40 dias para fazer caminhos que evitem a segurança. Chegam aos hospitais em estado crítico.”

Relatos feitos à reportagem apontam na mesma direção. “Estamos em uma prisão e a pena é válida por todas nossas vidas”, conta Abu Mal. “Não podemos sair. Quem sai é preso e sofre nas mãos dos policiais.” Para evitar ser espancado, precisam pagar subornos, algo impossível para refugiados já miseráveis.

Em um recente estudo, a entidade Human Rights Watch acusou o governo do Quênia de usar policiais para intimidar os refugiados. O governo do Quênia fechou desde 2006 sua fronteira com a Somália para evitar novos refugiados. Mas Dadaab continua a ganhar terreno.

Vítimas

Se o número de refugiados é recorde, a outra parte da história é que milhares, em busca dessa cidade, ficam pelo caminho. Hana tem 42 anos e sabe muito bem o que isso significa. Ela herdou a missão de salvar seus netos. Seus dois filhos estão lutando na Somália e sua filha morreu de fome no caminho para o campo. Ela diz que as últimas palavras de sua filha foram para que ela cuidasse dos quatro netos. “Dois já morreram depois que minha filha morreu.”

Para os especialistas da entidade Médicos Sem Fronteiras, o pior ainda está por vir. A previsão é a de que a seca continuará pelos próximos dois meses. A crise foi oficialmente declarada pela ONU em julho. Mas a falta de chuvas e a situação cada vez mais desesperadora já vinham sendo registradas há meses.

Em Dadaab, famílias e ONGs perdem a calma quando a crise da fome no Chifre da África é mostrada no Ocidente apenas como um fenômeno natural. “Não há mais como mostrar garotos esqueléticos e estereótipos da fome nas capas de jornais pelo mundo”, afirma um funcionário de uma ONG que pede anonimato. “Dá a sensação de inevitabilidade.”

Os mais críticos alertam que a imagem da vítima passiva, da fome silenciosa permite que governos promovam ações humanitárias, sem serem questionados sobre como é que o mundo deixou isso ocorrer.

Para os refugiados, o envio de alimentos pelo mundo é fundamental. “Mas não queremos apenas sobreviver”, diz Mohamed, de 43 anos, que desde os 29 anos vive em Dadaab. “Podem mandar alimentos para todos e mesmo assim o problema não será resolvhttp://www.blogger.com/img/blank.gifido.”

Wolfgang Fengler, economista-chefe do Banco Mundial em Nairóbi, alerta que a crise vivida hoje no Chifre da África é “obra humana”. Para ele, a seca era previsível e ninguém fez nada. Especialistas apontam o fenômeno do La Niña como provável causa da falta de chuvas neste ano. Para ONGs e para a ONU, só haverá uma solução para a fome na África quando houver um plano e investimentos.

Assim que as primeiras gotas de chuva voltarem a cair na região, não apenas molharão a terra árida. Também darão a conveniente impressão de que o problema da fome terminou. Que era apenas uma fatalidade climática.

ESTADO DE SÃO PAULO, 21/08/2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Novo campus da UFRPE no Cabo de Santo Agostinho e 9 escolas técnicas federais em Pernambuco


Pernambuco vai ganhar um novo campus da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e nove escolas técnicas até 2014. O anúncio foi feito ontem pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da educação Fernando Haddad, em Brasília, durante o lançamento de um pacote para expandir o ensino superior e profissionalizante no país. Os investimentos no estado são de R$ 250 milhões, sendo R$ 188 milhões destinados ao campus da Rural e R$ 7 milhões a cada uma das novas escolas técnicas. O novo campus da UFRPE vai funcionar em um terreno de 50 hectares no Cabo de Santo Agostinho. O local fica a 5km do Complexo de Suape e atenderá boa parte das necessidades das empresas do polo. Serão oferecidas engenharias química, elétrica, eletrônica, civil, mecânica e de materiais, além de ciências da computação, contábeis e de finanças. À noite, serão ofertadas licenciaturas de química, física e matemática para atender o déficit de professores.

Os alunos da Rural terão, até o 8º período, aulas de língua estrangeira. “Dominar uma ou duas línguas estrangeiras aumenta as chances de empregabilidade”, ressaltou o pró-reitor de planejamento da UFRPE, Romildo Morant de Holanda. Através de parceria com o Departamento de Letras da UFRPE, serão oferecidas aulas de inglês, alemão, espanhol, francês e mandarim, língua chinesa solicitada por algumas empresas. O campus vai atender 10 mil alunos.

As obras começam no início de 2012 e devem durar de 15 a 18 meses. As aulas estão marcadas para agosto de 2013. Além do campus, será instalado um parque tecnológico com áreas em que as empresas poderão criar centros para desenvolver trabalhos em parceria com a universidade. O projeto também inclui restaurante, auditório, biblioteca e laboratórios.

O Instituto Federal do Sertão Pernambucano vai ganhar duas unidades em Serra Talhada e Santa Maria da Boa Vista. Já o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) terá sete campi na Região Metropolitana do Recife (RMR) e na Zona da Mata. Haverá unidades em Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Palmares, Olinda, Igarassu, Abreu e Lima e Paulista. Cada campi poderá atender 1,2 mil alunos. Na fase de implantação serão matriculados 240 estudantes. “A expectativa é de que as novas unidades comecem a funcionar ainda em 2013”, afirmou a reitora do IFPE, Cláudia Sansil. Os cursos serão escolhidos após audiências públicas. As diversas esferas da sociedade indicarão as demandas do mercado.
Pernambuco e Bahia foram os estados contemplados com o maior número de escolas técnicas - nove cada um. O Norte e o Nordeste foram as regiões mais atendidas pelo pacote. Quatro universidades federais serão instaladas no Pará, na Bahia e no Ceará até 2012. (Mirella Marques)

Saiba mais

Criação do novo campus da UFRPE

Local: Cabo de Santo Agostinho

Investimento: R$ 188 milhões

Área: 50 hectares (terreno na PE-60 próximo a Suape)

Cursos presenciais: engenharia química, engenharia elétrica, engenharia eletrônica, engenharia civil, engenharia mecânica, engenharia de materiais, ciências da computação, contabilidade e finanças, licenciatura em física, licenciatura em química e licenciatura em matemática

Cursos à distância: secretariado executivo

Diferencial: todos os cursos terão língua estrangeira nos 8 períodos

Alunos: cerca de 10 mil alunos

Funcionamento: aulas devem iniciar no 2º semestre de 2013

Outros estados

Até 2012, serão implementados 20 campi universitários em oito estados e 88 unidades de institutos federais em 25 estados

Além disso, prefeitos assinarão termos de compromisso para a construção de 120 unidades de institutos federais em municípios dos 26 estados e no Distrito Federal

As novas universidades federais serão instaladas no Pará, na Bahia e no Ceará

A Bahia ganhou duas instituições. A Universidade Federal do Oeste da Bahia, com sede em Barreiras, e a Universidade Federal do Sul da Bahia, que terá sede em Itabuna

A Universidade Federal do Ceará transfere três de seus campi para a Universidade Federal da Região do Cariri – campi Cariri (na cidade de Juazeiro do Norte), Barbalha e Crato

DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 17/08/2011 (Link para assinantes)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Artigo meu no Diário de Pernambuco: A Fiat, a Hemobrás e a história de Goiana


Uma das melhores notícias sobre a economia de Pernambuco trata da instalação em Goiana da planta industrial da Fiat e da consolidação da Hemobrás, empresa de biotecnologia que produzirá derivados do sangue. Estes empreendimentos demandarão investimentos em infraestrutura, pesquisa, tecnologia, ensino técnico e universidades. A tendência de concentração de indústrias entre Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho precisava ser revisada porque produziria entre as regiões do estado as mesmas disparidades econômicas que já vimos ocorrer entre o Sudeste e o Nordeste do Brasil. Essa decisão que se anuncia hoje faz justiça não apenas a um desenvolvimento equilibrado do estado, mas ao próprio passado de Goiana e seus arredores.

Durante o século 19, a Zona da Mata Norte concentrava uma grande população, e o cultivo da cana era dividido com as culturas do algodão, do café, da mandioca e a criação de gado. Goiana destacava-se à época por seus terrenos planos, sua posição fronteiriça com a Paraíba e a posse de um porto, fatores que a levaram a ser o entreposto comercial preferido por quem vinha das províncias do norte. Com grandes e importantes engenhos, mas sem depender exclusivamente da cana, no início do século 20, viu ainda o crescimento da indústria têxtil, sob a liderança de Manuel Borba, futuro governador, e de Carlos Alberto de Meneses, pioneiro na defesa da doutrina social católica no trato com os operários. Pelas ruas e praças de Goiana, também fluiu uma intensa vida cultural e política. Imprensa (a primeira do interior, já em 1830), bandas musicais e sede de várias congregações católicas. Da cidade vieram muitos dos rebeldes de 1817 e 1821 a favor da independência e, no convento carmelita, brotou a liderança de Frei Caneca, expressão marcante do liberalismo da época. Foi ainda um dos centros da agitação contra o monopólio lusitano do comércio em 1847 e do apoio à Revolução Praieira em 1848, sob a liderança de Nunes Machado. Em 1872, assistiu a novos protestos antilusitanos, desta vez contra as críticas tecidas por Eça de Queiroz a D. Pedro II durante uma viagem do imperador à Europa. Em 1916, Manuel Borba, seu ex-prefeito e deputado federal, foi eleito governador, levando adiante um programa de modernização da economia do estado.

Desde a década de 1880, entretanto, uma série de circunstâncias minou a influência de Goiana. A Great Western, concessionária inglesa de ferrovias, resolveu construir um ramal ferroviário ligando o Recife a Campina Grande para ajudar o escoamhttp://www.blogger.com/img/blank.gifento do algodão e o traçado escolhido passou por Nazaré da Mata e Timbaúba, que era o centro do cultivo da pluma na Mata Norte. O porto de Goiana foi paulatinamente perdendo importância, à medida que as estradas de rodagem e os caminhões se afirmaram na economia. As usinas de açúcar, a partir de 1900, levaram a uma onda de concentração de terras e ao abandono posterior de outras atividades agrícolas, a exemplo do próprio algodão e do café. A dependência crescente da agricultura canavieira abortou o dinamismo de cidades como Timbaúba e Goiana, que passaram, a partir de então, por um processo de concentração da renda que apenas se agravou com o tempo. O desafio atual, portanto, será sempre a reversão deste quadro social e a construção de uma cidadania mais ativa, sem os quais o crescimento continuará beneficiando apenas uns poucos.

Diário de Pernambuco, 16/08/2011 (link para assinantes)

domingo, 7 de agosto de 2011

A viagem do presidente eleito, por Fernando da Cruz Gouveia


Dizem estudiosos sobre a revolução de 1930, que com a participação total da Aliança Liberal na campanha em favor da candidatura de Getulio Vargas à Presidência da República, sentiu-se o país envolvido numa consciência revolucionária. O pleito daquele sábado de carnaval, 1º de março, entretanto, deu a vitória a Júlio Prestes, governista. Para João Neves da Fontoura, evidenciara-se o triunfo das atas falsas, utilizadas de ambos os lados, (os liberais eram governo em estados) a diferença estava nas proporções.

A oposição inclinava-se a aceitar o que diziam as urnas, e Júlio Prestes decidiu viajar ao estrangeiro, começando pelos Estados Unidos a pretexto de retribuir a visita de Herbert Hoover ao Brasil. Partiu, em navio fretado, comboiado por dois cruzadores, o “Bahia” e o “Rio Grande do Sul”. Comentário de João Neves: “A estas horas demanda a barra de Santos o navio Lóide, ‘Almirante Jaceguai’, vestido de novo, alcatifado e florido para levar ao estrangeiro o sr. Júlio Prestes, em viagem de núpcias com a futura Presidência da República”. Nos Estados Unidos, obedecendo o programa preparado pelo Itamaraty, visitou instituições, recebeu o título de doutor Honoris Causa em Direito, na Universidade da Pensilvânia, e foi homenageado pelo titular da Casa Branca com banquete que a imprensa elogiou.

Em caráter particular, Júlio Prestes partiu para a Europa, visitou a França e, a 12 de julho, já em Londres, cumprimentava o rei Jorge V e o Príncipe de Gales, seguindo-se visitas a autoridades governamentais e banqueiros como Schroeder e Rothshild. Os jornais consideram proveitosos os contatos com financistas e industriais ingleses, que ainda mantinham investimentos de vulto no país que Júlio Prestes preparava-se para governar. Na verdade, este era o principal objetivo daquela viagem. Na volta ao Brasil, Júlio Prestes visitou, de passagem, Portugal, onde surpreendeu o interesse demonstrado pelas coisas da cultura ao visitar os túmulos de Camões e de Eça de Queirós.

Foi tranquila a travessia, embora reinasse a bordo um clima de expectativa sobre como seria recebido no Brasil. Assim, no Recife, o navio “Arlanza” deixou de se embandeirar em arco, a pedido do próprio presidente eleito, pois a capital pernambucana continuava abalada pelo assassinato de João Pessoa, com o povo a demonstrar sentimentos sebastianistas, rezando em praça pública pela ressurreição do presidente da Paraíba. Apenas o governador Estácio Coimbra recebeu o visitante para um almoço em Palácio. Festejos aguardavam o presidente eleito em Salvador, e no seu desembarque no Rio de Janeiro nada de homenagens. Agora, a “consciência revolucionária” voltava a dominar o país, e o Brasil chegaria ao “prélio das armas”, como previa João Neves da Fontoura, o grande tribuno liberal, e outros líderes políticos gaúchos. A próxima viagem do presidente eleito seria o longo caminho para o exílio.

DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 06/08/11, SEÇÃO OPINIÃO

sábado, 30 de julho de 2011

Rosa de Hiroshima, por Ney Matogrosso

Rosa de Hiroshima é um poema de Vinícius de Moraes, musicado por Gerson Conrad na canção Rosa de Hiroshima da banda Secos e Molhados. Fala sobre a explosão atômica de Hiroshima. O poema alude aos Bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki da Segunda Guerra Mundial.
Rosa de Hiroshima foi lançada no ano de 1973, no disco de estreia do grupo. Foi apresentada ao vivo no espetáculo histórico do grupo no Maracanãzinho em meados de 1974.A música foi a décima terceira mais executada nas rádios brasileiras no ano de 1973 [2]. Em 2009, a revista Rolling Stone brasileira listou Rosa de Hiroshima como a número 69 entre As 100 Maiores Músicas Brasileiras.[3]


VERSÃO DA APRESENTAÇÃO AO VIVO NO MARACANÃZINHO, EM 1974. APROVEITANDO A DEIXA, NEY MATOGROSSO ESTÁ COMPLETANDO 70 ANOS NESTA SEMANA E EM PLENA ATIVIDADE, COM SHOWS E PREPARAÇÃO DE UM NOVO CD.

A explosão da bomba atômica em Hiroshima.

Em 06 de agosto de 1945, às 08:15 da manhã, acabaram-se as ilusões de uma ciência neutra e de um avanço inexorável da sociedade moderna rumo ao Progresso e a Felicidade. A partir dali, a escalada da corrida atômica poderia levar à dehttp://www.blogger.com/img/blank.gifstruição da própria espécie humana. Dizem que uma vez perguntaram a Einstein sobre quais seriam as armas de III Guerra Mundial, ao que ele teria respondido: "da terceira, não sei; mas as da quarta serão paus e pedras".


LEIA MAIS SOBRE O PROJETO MANHATAN E AS BOMBAS DE HIROSHIMA E NAGASAKI.